Ele estava tão ausente da vida dela e ao mesmo tempo tão presente em seus pensamentos, devaneios e sonhos. E isso duraria enquanto durasse sua acomodação, o que supostamente se prolongaria por tempo sulficiente para que ela o tirasse da cabeça, por mais que não fosse isso que ela quisesse, era a única forma indolor de levar a situação. E porque escolher a forma indolor? Porque era o mais fácil, embora menos eficiente, era a mais estável.
Ela havia se acustumado a ser hermética, a ser vazia e ter mais tempo pra futilidades do que pra sentimentos, o que mudara de uns tempos pra cá, em que todo o seu espaço mental havia acomodado outra prioridade, outra distração. Não era fácil aceitar tanta mudança sem se enrolar um pouco com as decisões.
A decisão havia sido tomada, mas devido a eficácia duvidável o projeto de execução havia sido adiado pra quando ela fosse mais segura.
SEGURA, SEGURA, SEGURA.
Seguraça é difícil quando se trata de amor, mas não chegava a ser amor, seria muita audácia classificar aquele sentimentozinho crescente em amor, então porque ser tão difícil, pra que tanta segurança?
Não, não era pra tanto, só mais um pouco de clareza bastaria, um pouco de certeza, doses mínimas de vodca e alguns cigarros baratos serviriam bem.
Eram tantas idéias bailando em seu cérebro que ela ficava tonta as vezes, lembrando das regrinhas de "como seduzir o gato dos sonhos by Capricho" e rindo de si mesma ao tentar tornar racional algo que não tinha lógica nem pra ela, e não havia de ter pra ninguém. Fechava os olhos e tentava lembrar de situações que trouxessem pistas de que algo poderia sair bem e que provasse que nem tudo seriam massacres violentos ao seu sensível lado emocional que tantas vezes foi guardado dentro de cofres feitos de ferro, experiência e frustração.
A sequência correta seria: abrir o cofre, respirar confiança e colocar a decisão em prática, já que a chave do cofre ela já havia encontrado.
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