Quando ele saiu do banho ela já estava deitada, fingia ler um livro porém sem paciência fechou-o de uma vez, virou de canto e desligou o abajour. Ele, por sua vez, terminou de secar o cabelo com a toalha deitou-se ao lado dela e imóvel passou a esperar o sono chegar devagar.
Eram dois estranhos, dois meros estranhos unidos pela história que um dia viveram, juntos porque um conhecia todas as manias, olhares e jeitos do outro. Conheciam-se tão bem que foram se separando munidos pela intimidade de cada um. Ele ainda escondia dela aquela traição do início do percurso. Ela se escondia nas desconfianças, e naquelas desconfianças mergulhava tornando-se fria.
Lembravam-se juntos, naquele instante de quando um abraço os curava de qualquer dor, de quando a certeza de pertencerem um ao outro bastava, de quando se conheciam inteiramente e isso não os matava aos poucos como acontecia agora.
Pensavam se seria mesmo tão difícil começar do zero com outras pessoas, quanto demoraria pra que eles adquirissem o grau de intimidade que agora possuíam, ou não, mas dava medo, medo de errar e sofrer demais, medo de seguir muito tempo sozinhos, eles não consiguiríam suportar a si mesmos sozinhos. Foi aí, nesse pensamento, que os dois viraram um para o outro olharam um nos olhos do outro por segundos e se abraçaram no calor de um abraço frio, contudo era um abraço, de dois corpos que um dia se amaram e um dia eram unidos pelo prazer e não por mero conformismo.
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