sexta-feira, 22 de maio de 2009

açúcar

Ela fantasiava encontrá-lo em todos os lugares que ela ia, ela se arrumava pensando que talvez eles pudessem se encontrar em qualquer esquina, ela seguia com o olhar todos os outros garotos que pareciam com ele de longe.
Isso havia se tornado psicótico e patético, sem pitadas nem colheres de açúcar pra amenizar a amargura das palavras.
Ela insistia em ver sinais nas coisas mais corriqueiras possíveis, uma música que havia tocado nas duas vezes que eles estiveram juntos, uma música famosa que não passa mais de 20 minutos sem ser tocada nos rádios, mas se essa maldita música tocasse enquanto ela pensava nele era um sinal. Agora some o fato dela pensar nele praticamente o dia todo com o fato da música tocar a cada 20 minutos e conclua com a possibilidade disso acontecer no mesmo instante, tá aí o sinal tão importante que ela encontrava. Era deprimente.
Era amargo e sem açúcar, mas não a despertava do mundo ao qual era se submeteu. Não havia amargura que a despertasse, não havia açúcar que amenizasse o gosto forte das verdades. Existiam a verdade e a falta de vontade de aceitar, assim como havia a escolha entre esquecer ou ir atras, escolha essa que mudava a cada manhã junto com sua mudança de humor costumeiro, escolha essa que ela deixou adormecida. Penso eu que para que seja decidida não por ela, mas por circunstâncias que por mais que ela negasse aconteceriam mais cedo ou mais tarde, ele ia estar feliz com outra e a escolha não teria mais sentido.

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