Que fosse por vontade ou impressão, que fosse por querer ou não conseguir resistir, que fosse pelo simples estar.
Que ficasse, ora, comigo por instantes, não horas, por dias a fio como se a minha presença fosse vital.
Que sentisse meu coração em teu ouvido e esquecesse de tudo, esquecesse a vinda do sol ou a vida sem mim.
Que voltasse ao tempo certo quando este acabasse.
Que tocasse a música e calasse a voz; que a boca, em busca de outra distração, se calasse aos poucos e aos poucos se achegasse.
Que aconchegasse as mãos nas minhas e sentisse o calor ou fogo que se dissipava por tudo em mim afim de te contagiar de tal forma que fosse impossível largar-me.
E por fim que permanesse em nós o desejo de permanecer.
domingo, 28 de junho de 2009
sal
De repente o único lugar do mundo onde você não gostaria de estar te prende, algema seus pulsos e te puxa pelo masoquismo, comecei então procurando o melhor lugar da platéia para admirar o espetáculo, então fiquei a observá-lo atentamente como uma forma de cavar mais fundo o buraco que estava crescendo dentro de mim, quem sabe se ele ficasse fundo o bastante não me sugaria para dentro de si onde nenhum som pudesse me alcançar. Não obtive sucesso, ao contrário, senti que alguém havia jogado um punhado de sal na ferida aberta, senti repuxar e arder e passar, não seria otimista o sulficiente pra considerá-la fechada, curada mas a senti parar de pulsar e pude até pensar na cicatrização e nas marcas que ela deixaria pra trás, marcas que estariam lá mas não doeriam mais.
Como que por autopiedade meus sorrisos tornaram-se mais brilhantes e minhas risadas eram quase gritos na tentativa de demonstrar indiferença, ou até mesmo uma ponta de felicidade, afinal, eu estava com aqueles que me entendiam, com aqueles com os quais eu podia ser eu mesma... Era praticamente uma obrigação que eu estivesse feliz, digo isso com a memória de poucas lágrimas que eu senti marear meus olhos, mas que morreram antes mesmo de se tornarem aparentes, eu as matava as absorvia e transportava todo o seu sal para o ferida afim de forçar uma cicatrização imediata. Não obtive sucesso mais uma vez e talvez não o obtivesse nunca.
Como que por autopiedade meus sorrisos tornaram-se mais brilhantes e minhas risadas eram quase gritos na tentativa de demonstrar indiferença, ou até mesmo uma ponta de felicidade, afinal, eu estava com aqueles que me entendiam, com aqueles com os quais eu podia ser eu mesma... Era praticamente uma obrigação que eu estivesse feliz, digo isso com a memória de poucas lágrimas que eu senti marear meus olhos, mas que morreram antes mesmo de se tornarem aparentes, eu as matava as absorvia e transportava todo o seu sal para o ferida afim de forçar uma cicatrização imediata. Não obtive sucesso mais uma vez e talvez não o obtivesse nunca.
sábado, 20 de junho de 2009
poucas e breves
As semanas corriam calmamente e neutras, eu era a parte neutra da história, minhas emoções tornaram-se imutáveis, nunca saltitantes nem deprimidas, elas estavam amenas e sem graça, não encontrava motivos que as alterassem.
Mas essa semana um certo brilho adormecido havia despertado, um certo furor acalmado voltava à tona, não tinha entendido o motivo do retorno, mas era inegável, eu estava novamente sonhando acordada, novamente fantasiando realidades cegas. A intuição se confundia com esperança, mas um grande volume de intuição era culpado e eu conseguia sentir.
Era a segunda vez que eu veria e a primeira que eu não teria o que tanto mexeu comigo a semana toda. Foi instantaneo, a música começou e eu fechei os olhos, os fechei apertado pra ver se um pingo se autopiedade se apoderava de mim, em vão.
Então vieram palavras, e eu percebi para o que essa semana tinha me preparado, percebi o que todos os sinais tentavam me mostrar, era claro. As palavras rodavam na minha cabeça sem se combinarem o sulficiente para que eu pudesse interpretá-las de forma positiva ou negativa, mas elas bateram como um choque, como uma pedra em um lago tranquilo.
No meu interior oscilavam sensações entre brilho, que se mostrava por meio de um sorriso involuntário e impotência, que se mostrava pelo aperto que eu sentia, aperto esse que eu senti de novo quando cheguei em casa e senti de novo quando vi algumas aparições inesperadas.
Eu quis gritar, quis implorar pra parar, mas algo mais forte que vinha de dentro não me permitiu, deixou apenas escapar um olhar desolado e conseguiu libertar novamente aquela onda de emoções incoerentes que eu conhecia bem, que eu sabia que iria levar comigo por mais algumas semanas, que sejam poucas, que sejam breves.
Mas essa semana um certo brilho adormecido havia despertado, um certo furor acalmado voltava à tona, não tinha entendido o motivo do retorno, mas era inegável, eu estava novamente sonhando acordada, novamente fantasiando realidades cegas. A intuição se confundia com esperança, mas um grande volume de intuição era culpado e eu conseguia sentir.
Era a segunda vez que eu veria e a primeira que eu não teria o que tanto mexeu comigo a semana toda. Foi instantaneo, a música começou e eu fechei os olhos, os fechei apertado pra ver se um pingo se autopiedade se apoderava de mim, em vão.
Então vieram palavras, e eu percebi para o que essa semana tinha me preparado, percebi o que todos os sinais tentavam me mostrar, era claro. As palavras rodavam na minha cabeça sem se combinarem o sulficiente para que eu pudesse interpretá-las de forma positiva ou negativa, mas elas bateram como um choque, como uma pedra em um lago tranquilo.
No meu interior oscilavam sensações entre brilho, que se mostrava por meio de um sorriso involuntário e impotência, que se mostrava pelo aperto que eu sentia, aperto esse que eu senti de novo quando cheguei em casa e senti de novo quando vi algumas aparições inesperadas.
Eu quis gritar, quis implorar pra parar, mas algo mais forte que vinha de dentro não me permitiu, deixou apenas escapar um olhar desolado e conseguiu libertar novamente aquela onda de emoções incoerentes que eu conhecia bem, que eu sabia que iria levar comigo por mais algumas semanas, que sejam poucas, que sejam breves.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
vazio
Ele arregalou os olhos quando a viu se desequilibrando ao lhe dar um abraço, eram apenas 10 da manhã e ela já estava alterada alcoolicamente.
- Porque você precisa beber assim?
Sussurrou ele em seu ouvido enquanto estavam abraçados, ela pensou no vazio que a preenchia ultimamente.
- Pra me sentir menos vazia, menos no controle, mais sucetível às sensações anestesiantes.
Ela disse olhando pra ele fixamente como se todo o efeito já tivesse passado. Ela havia se tornado mais intensa, sem medo das reações.
- Parece que eu já não cumpro mais essa função, eu me sinto um inútil quando te vejo assim...
As palavras saíram doloridas e distantes como se viajassem através de memórias e os olhos dele se fecharam enquanto um suspiro de desistência saia da sua boca como se ela o tivesse decepcionado profundamente, lembrou do primeiro beijo dos dois na roda-gigante, lembrou das tardes na praia e das noites que deveriam ter durado pra sempre, lembrou do olhar falante que ela tinha e involuntariamente os comparou com o olhar distante, olhar intenso e quieto que ele observava atentamente naquele instante.
Ela, como por impulso ou intuição, não era fácil interpretar, colocou os óculos escuros, fechou os olhos e ele facilmente pode ver uma lágrima escorrer por suas maçãs do rosto e morrer em seus lábios, ele a abraçou forte, ela então sentiu o cheiro amadeirado do perfume daquele que constumava fazê-la sentir-se calma, segura e não sentiu segurança, não sentiu o conforto costumeiro, desviou-se devagar e sentiu a tontura voltar com mais força, já não era o bastante.
O que gritava dentro dela era uma vontade imensa de beijá-lo com o calor de antes, mas não encontrou forças, o que sussurrava dentro dela era a certeza de que não era ele que não era mais sulficiente, mas ela que se tornara fria demais, masoquista demais. Deu-lhe um beijo rápido na boca, um meio sorriso um tanto forçado e deitou em seu colo pra fazer passar tudo isso, era melhor deixar passar do que dizer qualquer coisa agora, deixar pra depois sempre foi mais fácil.
- Porque você precisa beber assim?
Sussurrou ele em seu ouvido enquanto estavam abraçados, ela pensou no vazio que a preenchia ultimamente.
- Pra me sentir menos vazia, menos no controle, mais sucetível às sensações anestesiantes.
Ela disse olhando pra ele fixamente como se todo o efeito já tivesse passado. Ela havia se tornado mais intensa, sem medo das reações.
- Parece que eu já não cumpro mais essa função, eu me sinto um inútil quando te vejo assim...
As palavras saíram doloridas e distantes como se viajassem através de memórias e os olhos dele se fecharam enquanto um suspiro de desistência saia da sua boca como se ela o tivesse decepcionado profundamente, lembrou do primeiro beijo dos dois na roda-gigante, lembrou das tardes na praia e das noites que deveriam ter durado pra sempre, lembrou do olhar falante que ela tinha e involuntariamente os comparou com o olhar distante, olhar intenso e quieto que ele observava atentamente naquele instante.
Ela, como por impulso ou intuição, não era fácil interpretar, colocou os óculos escuros, fechou os olhos e ele facilmente pode ver uma lágrima escorrer por suas maçãs do rosto e morrer em seus lábios, ele a abraçou forte, ela então sentiu o cheiro amadeirado do perfume daquele que constumava fazê-la sentir-se calma, segura e não sentiu segurança, não sentiu o conforto costumeiro, desviou-se devagar e sentiu a tontura voltar com mais força, já não era o bastante.
O que gritava dentro dela era uma vontade imensa de beijá-lo com o calor de antes, mas não encontrou forças, o que sussurrava dentro dela era a certeza de que não era ele que não era mais sulficiente, mas ela que se tornara fria demais, masoquista demais. Deu-lhe um beijo rápido na boca, um meio sorriso um tanto forçado e deitou em seu colo pra fazer passar tudo isso, era melhor deixar passar do que dizer qualquer coisa agora, deixar pra depois sempre foi mais fácil.
domingo, 14 de junho de 2009
estação
Ela estava lá parada com seus olhos verdes cheios de lágrimas, aqueles olhos verdes que eu sempre quis ter herdado, que estavam sempre com um brilho ou um sinal de reprovação agora estavam marejados e eu só podia vê-los da janela e chorar também e sentir de novo aquele aperto do tchau, vê-la apertando os lábios pra tentar se conter e não me deixar mais triste, mas por baixo dos óculos eu estava chorando, eu estava sentindo tudo aquilo que eu sabia de cor, tudo aquilo que eu pagaria pra nunca sentir.
É tão fácil se acostumar com tantas coisas na vida, que seja um corte de cabelo ou um namorado novo, estamos sempre superando fases e evoluindo, acho que partir amadurece, é como se você pudesse enfrentar tudo dali pra frente depois de um adeus, mas eu não consigo me acostumar a deixar as pessoas que eu amo sempre paradas em uma estação qualquer com aquele olhar que só quem está do lado de dentro do vidro consegue sentir, consegue perceber toda a profundidade que aquele olhar tem e todas as coisas que ele é capaz de transmitir.
Algumas pessoas nasceram com a sorte de permanecer estagnadas, conhecendo a vinzinhança desde bebês, o que não é o meu caso e eu não me queixo, eu me recuso a ficar choramingando pora justificar escolhas que eu mesma tomei, é difícil deixar as pessoas, mas fotos ajudam, perfumes também e se for pra pensar positivamente logo verei todos de novo, é só eu parar de me preocupar em contar os dias que eles passarão mais rápido.
Então eu parti, de novo, tentando parar as lágrimas para deixá-la melhor, pra fazer doer menos nela, já bastava eu.
É tão fácil se acostumar com tantas coisas na vida, que seja um corte de cabelo ou um namorado novo, estamos sempre superando fases e evoluindo, acho que partir amadurece, é como se você pudesse enfrentar tudo dali pra frente depois de um adeus, mas eu não consigo me acostumar a deixar as pessoas que eu amo sempre paradas em uma estação qualquer com aquele olhar que só quem está do lado de dentro do vidro consegue sentir, consegue perceber toda a profundidade que aquele olhar tem e todas as coisas que ele é capaz de transmitir.
Algumas pessoas nasceram com a sorte de permanecer estagnadas, conhecendo a vinzinhança desde bebês, o que não é o meu caso e eu não me queixo, eu me recuso a ficar choramingando pora justificar escolhas que eu mesma tomei, é difícil deixar as pessoas, mas fotos ajudam, perfumes também e se for pra pensar positivamente logo verei todos de novo, é só eu parar de me preocupar em contar os dias que eles passarão mais rápido.
Então eu parti, de novo, tentando parar as lágrimas para deixá-la melhor, pra fazer doer menos nela, já bastava eu.
terça-feira, 9 de junho de 2009
entre telefones e óculos escuros
Lembro-me bem de ter uma infância iluminada, minha mãe me contava histórias pra dormir e eu acreditava naquelas frases e fatos contados como se os livros fossem diários de pessoas reais. Me recordo de uma história em especial, uma em que uma garotinha chamada Pricila tinha um telefone chamado faz-tudo e toda vez que ela ia dormir pedia pro faz-tudo fazer a ligação pro sono, então ela dormia e junto com ela eu dormia um sono com sonhos coloridos a luminosos.
Era tão fácil acreditar que qualquer que fosse meu problema teria um telefone para resolvê-lo, mas chegou um dia em que o faz-tudo não me ouvia, por mais que eu gritasse ele não me ouvia...
É assim que eu me sinto olhando fotos, ouvindo músicas e chorando sem motivo, me sinto gritando pro faz-tudo, fico esperando uma solução mágica que não vem, que NUNCA mais vai vir.
Ando vendo tudo mais cinza, o dia todo tem um sol que não esquenta e um vento que por mais que esfrie não liberta, me vejo em uma cena deprimente sentada no chão de qualquer lugar quieto, óculos escuros que cobrem todo meu rosto e uma série de pensamentos acomodados que já deveriam ter começado a incomodar, mas eu me nego a acender um cigarro ou recorrer a qualquer coisa que me faça sentir melhor, eu me nego a ligar para novos faz-tudos que não vão resolver nada no fim, ou melhor, vão me fazer dormir, que seja um sono calmo com sonhos coloridos, mas uma hora eu vou acordar e vai estar tudo aqui dentro de novo, todos os dias até que eu resolva me incomodar sulficientemente, definitivamente.
Era tão fácil acreditar que qualquer que fosse meu problema teria um telefone para resolvê-lo, mas chegou um dia em que o faz-tudo não me ouvia, por mais que eu gritasse ele não me ouvia...
É assim que eu me sinto olhando fotos, ouvindo músicas e chorando sem motivo, me sinto gritando pro faz-tudo, fico esperando uma solução mágica que não vem, que NUNCA mais vai vir.
Ando vendo tudo mais cinza, o dia todo tem um sol que não esquenta e um vento que por mais que esfrie não liberta, me vejo em uma cena deprimente sentada no chão de qualquer lugar quieto, óculos escuros que cobrem todo meu rosto e uma série de pensamentos acomodados que já deveriam ter começado a incomodar, mas eu me nego a acender um cigarro ou recorrer a qualquer coisa que me faça sentir melhor, eu me nego a ligar para novos faz-tudos que não vão resolver nada no fim, ou melhor, vão me fazer dormir, que seja um sono calmo com sonhos coloridos, mas uma hora eu vou acordar e vai estar tudo aqui dentro de novo, todos os dias até que eu resolva me incomodar sulficientemente, definitivamente.
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