domingo, 14 de junho de 2009

estação

Ela estava lá parada com seus olhos verdes cheios de lágrimas, aqueles olhos verdes que eu sempre quis ter herdado, que estavam sempre com um brilho ou um sinal de reprovação agora estavam marejados e eu só podia vê-los da janela e chorar também e sentir de novo aquele aperto do tchau, vê-la apertando os lábios pra tentar se conter e não me deixar mais triste, mas por baixo dos óculos eu estava chorando, eu estava sentindo tudo aquilo que eu sabia de cor, tudo aquilo que eu pagaria pra nunca sentir.
É tão fácil se acostumar com tantas coisas na vida, que seja um corte de cabelo ou um namorado novo, estamos sempre superando fases e evoluindo, acho que partir amadurece, é como se você pudesse enfrentar tudo dali pra frente depois de um adeus, mas eu não consigo me acostumar a deixar as pessoas que eu amo sempre paradas em uma estação qualquer com aquele olhar que só quem está do lado de dentro do vidro consegue sentir, consegue perceber toda a profundidade que aquele olhar tem e todas as coisas que ele é capaz de transmitir.
Algumas pessoas nasceram com a sorte de permanecer estagnadas, conhecendo a vinzinhança desde bebês, o que não é o meu caso e eu não me queixo, eu me recuso a ficar choramingando pora justificar escolhas que eu mesma tomei, é difícil deixar as pessoas, mas fotos ajudam, perfumes também e se for pra pensar positivamente logo verei todos de novo, é só eu parar de me preocupar em contar os dias que eles passarão mais rápido.

Então eu parti, de novo, tentando parar as lágrimas para deixá-la melhor, pra fazer doer menos nela, já bastava eu.

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