sábado, 20 de junho de 2009

poucas e breves

As semanas corriam calmamente e neutras, eu era a parte neutra da história, minhas emoções tornaram-se imutáveis, nunca saltitantes nem deprimidas, elas estavam amenas e sem graça, não encontrava motivos que as alterassem.
Mas essa semana um certo brilho adormecido havia despertado, um certo furor acalmado voltava à tona, não tinha entendido o motivo do retorno, mas era inegável, eu estava novamente sonhando acordada, novamente fantasiando realidades cegas. A intuição se confundia com esperança, mas um grande volume de intuição era culpado e eu conseguia sentir.
Era a segunda vez que eu veria e a primeira que eu não teria o que tanto mexeu comigo a semana toda. Foi instantaneo, a música começou e eu fechei os olhos, os fechei apertado pra ver se um pingo se autopiedade se apoderava de mim, em vão.
Então vieram palavras, e eu percebi para o que essa semana tinha me preparado, percebi o que todos os sinais tentavam me mostrar, era claro. As palavras rodavam na minha cabeça sem se combinarem o sulficiente para que eu pudesse interpretá-las de forma positiva ou negativa, mas elas bateram como um choque, como uma pedra em um lago tranquilo.
No meu interior oscilavam sensações entre brilho, que se mostrava por meio de um sorriso involuntário e impotência, que se mostrava pelo aperto que eu sentia, aperto esse que eu senti de novo quando cheguei em casa e senti de novo quando vi algumas aparições inesperadas.
Eu quis gritar, quis implorar pra parar, mas algo mais forte que vinha de dentro não me permitiu, deixou apenas escapar um olhar desolado e conseguiu libertar novamente aquela onda de emoções incoerentes que eu conhecia bem, que eu sabia que iria levar comigo por mais algumas semanas, que sejam poucas, que sejam breves.

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