terça-feira, 9 de junho de 2009

entre telefones e óculos escuros

Lembro-me bem de ter uma infância iluminada, minha mãe me contava histórias pra dormir e eu acreditava naquelas frases e fatos contados como se os livros fossem diários de pessoas reais. Me recordo de uma história em especial, uma em que uma garotinha chamada Pricila tinha um telefone chamado faz-tudo e toda vez que ela ia dormir pedia pro faz-tudo fazer a ligação pro sono, então ela dormia e junto com ela eu dormia um sono com sonhos coloridos a luminosos.
Era tão fácil acreditar que qualquer que fosse meu problema teria um telefone para resolvê-lo, mas chegou um dia em que o faz-tudo não me ouvia, por mais que eu gritasse ele não me ouvia...
É assim que eu me sinto olhando fotos, ouvindo músicas e chorando sem motivo, me sinto gritando pro faz-tudo, fico esperando uma solução mágica que não vem, que NUNCA mais vai vir.
Ando vendo tudo mais cinza, o dia todo tem um sol que não esquenta e um vento que por mais que esfrie não liberta, me vejo em uma cena deprimente sentada no chão de qualquer lugar quieto, óculos escuros que cobrem todo meu rosto e uma série de pensamentos acomodados que já deveriam ter começado a incomodar, mas eu me nego a acender um cigarro ou recorrer a qualquer coisa que me faça sentir melhor, eu me nego a ligar para novos faz-tudos que não vão resolver nada no fim, ou melhor, vão me fazer dormir, que seja um sono calmo com sonhos coloridos, mas uma hora eu vou acordar e vai estar tudo aqui dentro de novo, todos os dias até que eu resolva me incomodar sulficientemente, definitivamente.

Um comentário:

  1. Daay, que bela escritora despertou em você, com simples lembranças faz qualquer pessoa a recorda uma bela infancia; onde havia a penas o bem, a inocencia, as brincadeiras, a felicidade, o que há de bom no mundo *-*

    Parabéns

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