sábado, 14 de novembro de 2009

Real

A distância até o silêncio as vezes é breve demais, tão breve que os pensamentos não têm tempo de gritar até serem sufocados por ele, sufoquei tudo com tanto ódio, tanto desapontamento que que aos poucos a música se tornava alta demais, se tornava triste demais mas se negava a cessar, não queria cessar, sempre aquela música, sempre a mesma. E novamente eu via claramente o chão inundado de palavras, agora não mais ditas, mas pensadas, de expectativas, de verdades inventadas... até que tudo tornou-se claro, a culpa alcançou o seu legítimo dono e foi sendo absorvida em mim, eu não havia sido legal o suficiente, engraçada o suficiente, carinhosa o suficiente e não adiantava eu colocar a culpa em quem não enxergou pois era eu que havia de fazer enxergar. Foi nesse ponto, exatamente nesse ponto que o real veio e me abraçou com seus braços frios, não me senti acalentada, mas senti a clareza do que não era fantasia, olhei nos olhos do real como se eu lesse a sua alma e vi e li a única verdade: a verdade é dura demais, ela é antipática, até meio grossa as vezes, a mentira é sempre mais doce, mais gentil...

Não existe distância suficiente que eu percorra pra conseguir fugir de mim, não há barulho que sufoque pensamentos inconvenientes, assim como não há verdade gentil. E é assim, com toda a certeza de quem leu a alma do real que vos digo: não há amor, não aquele amor solidário, não aquele amor puro, o que chamamos de amor é egoísmo, é usar do outro pra suprir as próprias carências, é sugar do outro a atenção que nosso ego necessita, o mais perto do bonito que cheguei ao classificar amores é o amor em que se cuida, mas até esse amor foi contaminado pela necessidade do ser humano de se sentir útil quando protege, sentir que está cumprindo o seu papel, o que não vai muito além de satisfação pessoal.

Desculpe jogar isso na cara de todos assim, de um jeito tão rude, mas o amor não existe, e se existir, está longe de ser um sentimento belo.

domingo, 4 de outubro de 2009

urgência

Estava eu, absorvida em pensamentos enquanto esperava minhas unhas secarem e ao mesmo tempo analisando minhas concepções de vida, ó Deus como eu sou versátil, mas enfim, houve um ponto que me segurou, pensei e repensei e parei no mesmo ponto: a minha falta de necessidade de viver muito. Não, não pense que eu estava com ideais suicidas ou coisas do tipo, longe de mim, mas todos os meu desejos e vontades esbarram nunca necessitaram de longevidade.
Faculdade? Carreira? Sim claro, posso ser ligeiramente intensa mas também sou um tanto quanto responsável, com uma enorme necessidade de planejar as coisas.
Bom, falemos então dessas minhas concepções urgentes.
Primeiramente sempre considerei meus amigos acima de tudo, de qualquer amor ou obrigação de namorada, como poderia ser diferente se são eles que me acompanham em todos os meus exageros e insanidades? Nunca tive muita paciência pra essa coisa toda de ficar fazendo média do tipo "não vou porque quando ele quizer ir eu não vou querer deixar" ninguém é dono de ninguém nem dos desejos de ninguém e acho que é por pensar assim que meus relacionamentos não duraram muito e eu resolvi parar de brincar disso.
Espero chegar a um ponto da minha vida, talvez quando eu tenha que, como diz minha avó, criar juízo que eu possa pensar que fiz tudo, bebi de tudo, pulei a janela pra ir a festas ou encontrar garotos, experimentei, aprontei, perdi a cabeça e voltei pra dormir até tarde sem culpa.
Estarei pronta para o amor da minha vida um dia, talvez aos 25, mas agora, aos 16, estou pronta para os amores de algumas horas, alguns dias e nada mais.

Acho que a palavra certa pra designar essa minha fase é urgência, urgência de vida, de emoção, de sentir absolutamente tudo, urgência...
Bom, se eu morrer aos 28 tenha certeza de que foi porque vivi direito, vivi demais, não muito, mas tudo.

sábado, 15 de agosto de 2009

dois

Quando ele saiu do banho ela já estava deitada, fingia ler um livro porém sem paciência fechou-o de uma vez, virou de canto e desligou o abajour. Ele, por sua vez, terminou de secar o cabelo com a toalha deitou-se ao lado dela e imóvel passou a esperar o sono chegar devagar.
Eram dois estranhos, dois meros estranhos unidos pela história que um dia viveram, juntos porque um conhecia todas as manias, olhares e jeitos do outro. Conheciam-se tão bem que foram se separando munidos pela intimidade de cada um. Ele ainda escondia dela aquela traição do início do percurso. Ela se escondia nas desconfianças, e naquelas desconfianças mergulhava tornando-se fria.
Lembravam-se juntos, naquele instante de quando um abraço os curava de qualquer dor, de quando a certeza de pertencerem um ao outro bastava, de quando se conheciam inteiramente e isso não os matava aos poucos como acontecia agora.
Pensavam se seria mesmo tão difícil começar do zero com outras pessoas, quanto demoraria pra que eles adquirissem o grau de intimidade que agora possuíam, ou não, mas dava medo, medo de errar e sofrer demais, medo de seguir muito tempo sozinhos, eles não consiguiríam suportar a si mesmos sozinhos. Foi aí, nesse pensamento, que os dois viraram um para o outro olharam um nos olhos do outro por segundos e se abraçaram no calor de um abraço frio, contudo era um abraço, de dois corpos que um dia se amaram e um dia eram unidos pelo prazer e não por mero conformismo.

domingo, 28 de junho de 2009

Que

Que fosse por vontade ou impressão, que fosse por querer ou não conseguir resistir, que fosse pelo simples estar.
Que ficasse, ora, comigo por instantes, não horas, por dias a fio como se a minha presença fosse vital.
Que sentisse meu coração em teu ouvido e esquecesse de tudo, esquecesse a vinda do sol ou a vida sem mim.
Que voltasse ao tempo certo quando este acabasse.
Que tocasse a música e calasse a voz; que a boca, em busca de outra distração, se calasse aos poucos e aos poucos se achegasse.
Que aconchegasse as mãos nas minhas e sentisse o calor ou fogo que se dissipava por tudo em mim afim de te contagiar de tal forma que fosse impossível largar-me.
E por fim que permanesse em nós o desejo de permanecer.

sal

De repente o único lugar do mundo onde você não gostaria de estar te prende, algema seus pulsos e te puxa pelo masoquismo, comecei então procurando o melhor lugar da platéia para admirar o espetáculo, então fiquei a observá-lo atentamente como uma forma de cavar mais fundo o buraco que estava crescendo dentro de mim, quem sabe se ele ficasse fundo o bastante não me sugaria para dentro de si onde nenhum som pudesse me alcançar. Não obtive sucesso, ao contrário, senti que alguém havia jogado um punhado de sal na ferida aberta, senti repuxar e arder e passar, não seria otimista o sulficiente pra considerá-la fechada, curada mas a senti parar de pulsar e pude até pensar na cicatrização e nas marcas que ela deixaria pra trás, marcas que estariam lá mas não doeriam mais.

Como que por autopiedade meus sorrisos tornaram-se mais brilhantes e minhas risadas eram quase gritos na tentativa de demonstrar indiferença, ou até mesmo uma ponta de felicidade, afinal, eu estava com aqueles que me entendiam, com aqueles com os quais eu podia ser eu mesma... Era praticamente uma obrigação que eu estivesse feliz, digo isso com a memória de poucas lágrimas que eu senti marear meus olhos, mas que morreram antes mesmo de se tornarem aparentes, eu as matava as absorvia e transportava todo o seu sal para o ferida afim de forçar uma cicatrização imediata. Não obtive sucesso mais uma vez e talvez não o obtivesse nunca.

sábado, 20 de junho de 2009

poucas e breves

As semanas corriam calmamente e neutras, eu era a parte neutra da história, minhas emoções tornaram-se imutáveis, nunca saltitantes nem deprimidas, elas estavam amenas e sem graça, não encontrava motivos que as alterassem.
Mas essa semana um certo brilho adormecido havia despertado, um certo furor acalmado voltava à tona, não tinha entendido o motivo do retorno, mas era inegável, eu estava novamente sonhando acordada, novamente fantasiando realidades cegas. A intuição se confundia com esperança, mas um grande volume de intuição era culpado e eu conseguia sentir.
Era a segunda vez que eu veria e a primeira que eu não teria o que tanto mexeu comigo a semana toda. Foi instantaneo, a música começou e eu fechei os olhos, os fechei apertado pra ver se um pingo se autopiedade se apoderava de mim, em vão.
Então vieram palavras, e eu percebi para o que essa semana tinha me preparado, percebi o que todos os sinais tentavam me mostrar, era claro. As palavras rodavam na minha cabeça sem se combinarem o sulficiente para que eu pudesse interpretá-las de forma positiva ou negativa, mas elas bateram como um choque, como uma pedra em um lago tranquilo.
No meu interior oscilavam sensações entre brilho, que se mostrava por meio de um sorriso involuntário e impotência, que se mostrava pelo aperto que eu sentia, aperto esse que eu senti de novo quando cheguei em casa e senti de novo quando vi algumas aparições inesperadas.
Eu quis gritar, quis implorar pra parar, mas algo mais forte que vinha de dentro não me permitiu, deixou apenas escapar um olhar desolado e conseguiu libertar novamente aquela onda de emoções incoerentes que eu conhecia bem, que eu sabia que iria levar comigo por mais algumas semanas, que sejam poucas, que sejam breves.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

vazio

Ele arregalou os olhos quando a viu se desequilibrando ao lhe dar um abraço, eram apenas 10 da manhã e ela já estava alterada alcoolicamente.
- Porque você precisa beber assim?
Sussurrou ele em seu ouvido enquanto estavam abraçados, ela pensou no vazio que a preenchia ultimamente.
- Pra me sentir menos vazia, menos no controle, mais sucetível às sensações anestesiantes.
Ela disse olhando pra ele fixamente como se todo o efeito já tivesse passado. Ela havia se tornado mais intensa, sem medo das reações.
- Parece que eu já não cumpro mais essa função, eu me sinto um inútil quando te vejo assim...
As palavras saíram doloridas e distantes como se viajassem através de memórias e os olhos dele se fecharam enquanto um suspiro de desistência saia da sua boca como se ela o tivesse decepcionado profundamente, lembrou do primeiro beijo dos dois na roda-gigante, lembrou das tardes na praia e das noites que deveriam ter durado pra sempre, lembrou do olhar falante que ela tinha e involuntariamente os comparou com o olhar distante, olhar intenso e quieto que ele observava atentamente naquele instante.
Ela, como por impulso ou intuição, não era fácil interpretar, colocou os óculos escuros, fechou os olhos e ele facilmente pode ver uma lágrima escorrer por suas maçãs do rosto e morrer em seus lábios, ele a abraçou forte, ela então sentiu o cheiro amadeirado do perfume daquele que constumava fazê-la sentir-se calma, segura e não sentiu segurança, não sentiu o conforto costumeiro, desviou-se devagar e sentiu a tontura voltar com mais força, já não era o bastante.
O que gritava dentro dela era uma vontade imensa de beijá-lo com o calor de antes, mas não encontrou forças, o que sussurrava dentro dela era a certeza de que não era ele que não era mais sulficiente, mas ela que se tornara fria demais, masoquista demais. Deu-lhe um beijo rápido na boca, um meio sorriso um tanto forçado e deitou em seu colo pra fazer passar tudo isso, era melhor deixar passar do que dizer qualquer coisa agora, deixar pra depois sempre foi mais fácil.

domingo, 14 de junho de 2009

estação

Ela estava lá parada com seus olhos verdes cheios de lágrimas, aqueles olhos verdes que eu sempre quis ter herdado, que estavam sempre com um brilho ou um sinal de reprovação agora estavam marejados e eu só podia vê-los da janela e chorar também e sentir de novo aquele aperto do tchau, vê-la apertando os lábios pra tentar se conter e não me deixar mais triste, mas por baixo dos óculos eu estava chorando, eu estava sentindo tudo aquilo que eu sabia de cor, tudo aquilo que eu pagaria pra nunca sentir.
É tão fácil se acostumar com tantas coisas na vida, que seja um corte de cabelo ou um namorado novo, estamos sempre superando fases e evoluindo, acho que partir amadurece, é como se você pudesse enfrentar tudo dali pra frente depois de um adeus, mas eu não consigo me acostumar a deixar as pessoas que eu amo sempre paradas em uma estação qualquer com aquele olhar que só quem está do lado de dentro do vidro consegue sentir, consegue perceber toda a profundidade que aquele olhar tem e todas as coisas que ele é capaz de transmitir.
Algumas pessoas nasceram com a sorte de permanecer estagnadas, conhecendo a vinzinhança desde bebês, o que não é o meu caso e eu não me queixo, eu me recuso a ficar choramingando pora justificar escolhas que eu mesma tomei, é difícil deixar as pessoas, mas fotos ajudam, perfumes também e se for pra pensar positivamente logo verei todos de novo, é só eu parar de me preocupar em contar os dias que eles passarão mais rápido.

Então eu parti, de novo, tentando parar as lágrimas para deixá-la melhor, pra fazer doer menos nela, já bastava eu.

terça-feira, 9 de junho de 2009

entre telefones e óculos escuros

Lembro-me bem de ter uma infância iluminada, minha mãe me contava histórias pra dormir e eu acreditava naquelas frases e fatos contados como se os livros fossem diários de pessoas reais. Me recordo de uma história em especial, uma em que uma garotinha chamada Pricila tinha um telefone chamado faz-tudo e toda vez que ela ia dormir pedia pro faz-tudo fazer a ligação pro sono, então ela dormia e junto com ela eu dormia um sono com sonhos coloridos a luminosos.
Era tão fácil acreditar que qualquer que fosse meu problema teria um telefone para resolvê-lo, mas chegou um dia em que o faz-tudo não me ouvia, por mais que eu gritasse ele não me ouvia...
É assim que eu me sinto olhando fotos, ouvindo músicas e chorando sem motivo, me sinto gritando pro faz-tudo, fico esperando uma solução mágica que não vem, que NUNCA mais vai vir.
Ando vendo tudo mais cinza, o dia todo tem um sol que não esquenta e um vento que por mais que esfrie não liberta, me vejo em uma cena deprimente sentada no chão de qualquer lugar quieto, óculos escuros que cobrem todo meu rosto e uma série de pensamentos acomodados que já deveriam ter começado a incomodar, mas eu me nego a acender um cigarro ou recorrer a qualquer coisa que me faça sentir melhor, eu me nego a ligar para novos faz-tudos que não vão resolver nada no fim, ou melhor, vão me fazer dormir, que seja um sono calmo com sonhos coloridos, mas uma hora eu vou acordar e vai estar tudo aqui dentro de novo, todos os dias até que eu resolva me incomodar sulficientemente, definitivamente.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sinestesia

Ela não esperava tanta coragem pra conseguir completar na primeira tentativa, era tão impulsivo que quando acabou ela jogou o telefone na cama, deitou a cabeça no travasseiro e deu uns leves tapinhas nas maçãs do rosto pra se certificar de que estava acordada, de que tinha sido ela mesma ao telefone. Foi tão natural, as palavras saíam como se fossem ditas pra um amigo de anos, com o qual não se precisa medir ou repensar as palavras, elas simplismente saíam, ela imaginara que as risadas seríam disfarces da insegurança, mas não, elas eram sinceras, e por cima delas vinham mais histórias e mais risadas e mais sensação de cumplicidade.

Assim que ela se reconectou à realidade era tudo sinestesia, as vozes da televisão se misturavam e pareciam cantarolar a música da última vez, os sabores e os cheiros ela sabia de cor e os sentia simultaneamente em uma explosão que a fez desabar numa afirmativa: Esse havia sido seu último grito, sua última chance de fazer algo que não parecesse pretencioso.
E não houve resposta, não tinha ninguém lá fora esperando quando ela passou pelo portão e procurou no meio da multidão e ela não podia fazer nada... Era a ácidez da impotência passando mais uma vez pela garganta dela, antes mesmo dela gritar, já que não se permitia chorar, ainda não era tão forte assim pra fazê-la chorar e ela não ia deixar ser.

"Se tudo isso foi feito pra você parar com a indecisão e decidir entre desistir e se entregar, acho que você já tem sua resposta née? "

sexta-feira, 22 de maio de 2009

açúcar

Ela fantasiava encontrá-lo em todos os lugares que ela ia, ela se arrumava pensando que talvez eles pudessem se encontrar em qualquer esquina, ela seguia com o olhar todos os outros garotos que pareciam com ele de longe.
Isso havia se tornado psicótico e patético, sem pitadas nem colheres de açúcar pra amenizar a amargura das palavras.
Ela insistia em ver sinais nas coisas mais corriqueiras possíveis, uma música que havia tocado nas duas vezes que eles estiveram juntos, uma música famosa que não passa mais de 20 minutos sem ser tocada nos rádios, mas se essa maldita música tocasse enquanto ela pensava nele era um sinal. Agora some o fato dela pensar nele praticamente o dia todo com o fato da música tocar a cada 20 minutos e conclua com a possibilidade disso acontecer no mesmo instante, tá aí o sinal tão importante que ela encontrava. Era deprimente.
Era amargo e sem açúcar, mas não a despertava do mundo ao qual era se submeteu. Não havia amargura que a despertasse, não havia açúcar que amenizasse o gosto forte das verdades. Existiam a verdade e a falta de vontade de aceitar, assim como havia a escolha entre esquecer ou ir atras, escolha essa que mudava a cada manhã junto com sua mudança de humor costumeiro, escolha essa que ela deixou adormecida. Penso eu que para que seja decidida não por ela, mas por circunstâncias que por mais que ela negasse aconteceriam mais cedo ou mais tarde, ele ia estar feliz com outra e a escolha não teria mais sentido.

Ela adoraria uma festa, só pra poder vê-lo, depois de tanto tempo ela tinha perdido as esperanças, ou as migalhas que existiam, ela só queria vê-lo sorrir.
Fazia mais de um mês, repito colocando ênfase no MÊS, não é como dias ou semanas que passam como passam trens na estação, ou diria ainda melhor, metrôs. Faz mais de um mês e tanta coisa podia ter acontecido com ele, ela estava disposta a ligar só pra dizer que estava com saudades, mas nunca tinha oportunidade, nunca tinha paz e silêncio pra respirar fundo e digitar as teclas no telefone, então foi passando assim, dias, semanas, mês e nada, ele poderia estar namorando uma hora dessas e ela não se perdoaria por ter deixado passar tanto tempo, por ter deixado escapar chances que ela podia ter construído com um simples telefonema que camuflasse em risos e besteiras todas as intenções contidas nele, todas as espectativas, esperanças e desejos que uma única linha telefônica separavam.
O tempo havia piorado as coisas, principalmente nessa semana e ela não sabia porque, mas enfim, garotos pra aumentar a lista não a interessavam, em algumas de suas poucas tentativas ela pensava tanto nele que a situação chegava a enojá-la, não, isso não era normal e era isso que ela repetia incansavelmente.
Odeio o fato de só escrever aqui quando estou deprimida, mas é o meu "estar mal" que me faz querer colocar pra fora sentimentos que meus sorrisos reprimem quando eu estou mais contente.
Bem, estou aqui novamente e com mais tempo para publicar, que seja bom pra vocês, meus caros leitores e que seja eficiente pro meu caso.

sábado, 9 de maio de 2009

Perfume

Eu não posso arrancar essa autoproteção de mim como se fosse uma página de um caderno usado, ela já é um pedaço de mim, como se fosse um novo perfume que eu tivesse adquirido ou ganhado, acho que o termo certo seria aperfeiçoado, como se eu tivesse misturado decepção com aprendizado e essas duas frangrâncias resultaram em autoproteção, essencialmente composta por medo de se entregar novamente.
Eu já senti tanta dor pela minha facilidade de entrega sentimental que me arrepia a idéia de vir a sentir um décimo de tudo aquilo. É tão mais fácil esquecer do que tentar e se ferir denovo.
Sou fraca, admito tenho medo de não aguentar as consequências de ir atras do que eu quero, me falta determinação e coragem, me falta uma força que eu ainda não sei ao certo a combinação das essências.
Ainda espero a felicidade piscar pra mim do ponto de ônibus, ainda espero a felicidade me ligar e me chamar pra sair, mas eu não vou tentar encontrar essa felicidade em qualquer um que me ofereça um abraço ou uma coca-cola, eu vou ficar menos esperando a felicidade se apaixonar por mim antes que eu me entregue a ela com tudo de mim. Espero que até lá, eu já tenha aprendido as essências da força e o cheiro da autoproteção tenha deixado de me impregnar pra que eu possa olhar e sorrir sem medo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

excesso, confesso

Ela não queria ter que pensar tanto nele antes de dormir, mas era inevitável, foi a forma que ela encontrou nas últimas semanas pro sono chegar mais rápido e pra aumentar a probabilidade de sonhar com ele, o que era um tanto pré-adolescente em excesso, confesso, mas era bom.
O desejo de esquecer não gritava dentro dela, nem quando ela lembrava da impossibilidade (?) das suas fantasias tornarem-se realidade, era tão bom alimentar as fantasias e inventar histórias que iam de um cinema a uma viagem, oscilavam entre o intervalo entre a escola e o curso de fotografia e o sábado a noite.
Quanto mais ela imaginava, mas ela queria ter ele mais perto, ela queria ele sorrindo, olhando pra ela e sentindo ela. Ela podia viver assim, fechando os olhos e ouvindo a voz dele repetidamente, repetidamente.

Quando ela pensava ela sentia, quando ela lembrava ela se alegrava com o fato de ter tido pelo menos uma vez, que fosse antes da realidade bater, que fosse antes da décima segunda badalada do relógio, mas que fosse, que fosse intenso que fosse real, a única cena real a qual ela se agarrava quando se sentia sozinha.
Ela enxergava os sinais e via letras e nomes e escutava as pessoas e não conseguia pensar que não tinha uma ligação naquilo tudo, que não tivesse uma mãozinha mágica em toda aquela perfeição, mas era a perfeição que a tornava insegura, depois de ter escutado tanto que tudo que é perfeito é único e não se repete ela sentia medo de não ser real nunca mais, por mais que essa fosse sua idéia pessimista que não a deixasse voar demais quando ela vinha com a total força do seu significado era apagada pela lembrança de um beijo ou uma risada que provocavam sensações mais satisfatórias.

Eu tenho pressa que a dor pode voltar

Há quem não cansa de remoer pequenos problemas e insiste em só querer aquilo que não pode ter.
E o que eu tenho que aceitar não me interessa no momento, preciso de um pouco menos de autopiedade, preciso parar de programar as horas que eu vou parar, sofrer e chorar.
Digo isso para não me pressionar, para não me controlar ou me deixar controlar.
Digo isso porque é inútil me encher de promessas que eu não posso cumprir, desde intenções idiotas como estudar mais, escrever mais e pensar menos até necessidades inrustidas como ir atrás ao invés de fantasiar o improvável.

Andei procurando indícios de quando e porque eu me deixei levar assim, de quando eu me tornei tão insegura ou quando eu perdi o controle desse jeito tão intenso.

"Olha pra mim e vê o que te faz voltar
Olha pra mim e me deixa te mostrar que eu posso ser exatamente o que você precisa nesse momento"

Eu vou continuar remoendo meus pequenos defeitos, minha não tão sérias desilusões e meus nenhum pouco sérios problemas, vou continuar insistindo no que eu não posso ter, pelo menos pensar no que eu não posso ter liberta alguns sorrisos automáticos.

domingo, 26 de abril de 2009

sem responsabilidades, sem culpa

Ela precisava de excessos, e ela foi atras dos excessos.
O alcool a fazia sentir bem, a sensação que ele despertava nela era anestésica, e fazia quanto tempo que ela não tinha essa sensação? Ela precisava disso, sem responsabilidades, sem culpa.
Ela queria ele lá um pouco, com ela assim como estavam os outros casais, mas seria demais pedir isso, demais pedir pra que ele ficasse com ela a festa inteira. Ele não era assim, ele não era dela, ele sequer estava lá.
Então ou era 8 ou 80, a anestesia ia terminar e o mundo real ia acordá-la amanhã de manhã junto com uma dor de cabeça insuportável.
Ela estava pronta pros exageros e os exageros a esperavam.
Caiu no pior e mais ousado da noite, se entregou pra que a noite a levasse. Só a noite, nenhum outro ele ia pegar carona nisso, era ela, era dela a noite e a garrafa de vodca.
Feche os olhos e sinta o mundo rodar, querida.
Se os príncipes encantados não percebem que devem ficar com as respectivas princesas, as princesas tem que dar seu jeito. E depois dessa recarga, a princesa tava prontinha pra jogar o jogo dele do jeito dela.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Se eu abrir os olhos você jura não partir

Era tempo demais pra suportar e era tão ruim sentir as memórias indo embora por falta de recarga.
Ela pensava em tudo todos os dias antes de dormir pra não deixar nada escapar, pra fazer ficar pra sempre marcado nela como se tivesse sido ontem. Era cruel!
Nos seus piores devaneios de volta da escola, com um cigarro na mão, a chuva no rosto e um pouco de frio ela a imaginava ligando pra ele, sem motivo, sem assunto só pra dizer que estava com saudade... mas o devaneio terminou junto com o cigarro e com a imagem dele sem entender, ou pior, dele entendendo tudo. A imagem era ruim demais para se pensar. Então ela subiu as escadas mastigando um halls e esquecendo um pouco.

terça-feira, 21 de abril de 2009

É sempre amor mesmo que mude

Hoje eu estava me lembrando de tudo que eu passei sozinha, de tudo que eu guardei comigo, de todos os dilemas que por mais que eu ouvisse conselhos era eu que tinha que decidir no final e pagar pra ver. No meio dessas memórias eu comecei a lembrar de uma rotina mais calma que eu mantinha a 2 anos atras.
Lembrei de como eu sempre tive amigos que iam comigo pra praça vazia só pra não ter que ficar vendo malhação.
Lembrei dos aniversários de amizade, dos três anos que eu vivi com as melhores pessoas que eu já conheci na vida, com quem compartilhei minha primeira bebedeira, com quem eu chorei e ri, com quem só de olhar eu já sabia tudo.
Aí eu comecei a pensar em todas as pessoas que eu conheci nesse 1 ano e meio que eu me mudei e percebi que eu posso não ter muita sorte no setor romântico, mas em compensação sei escolher muito bem meus amigos.
Conclui por último então, que eu nunca tive uma decisão que eu tomei sozinha, nenhuma vitória que eu não tivesse alguém ao meu lado pra abraçar em comemoração, nenhuma derrota que eu não tivesse um bom ouvido pra me ajudar a aguentar. Obrigada meus amores!

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
(Vinícios de Moraes)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Belo e Incerto

Então ela fechou a porta do carro e toda a noite passou dentro da sua cabeça, as cores brilhavam em sua mente assim como as luzes brilhavam quando eles se abraçaram. As palavras dele se repetiamincessantemente e ela sorria ao lembrar dos olhares e das brincadeiras de sempre.
Lembrava de como ela tinha saído de casa, com uma mistura de pessimismo e esperança dentro de si e uma maquiagem preta que a deixava linda. E foi ele que a encontrou, e ela só teve o trabalho de permanecer simpática como sempre e deixar que o resto fluísse.
Mas no instante em que ela o viu e sentiu que suas emoções desejavam outra coisa ela chegou a desistir e se conformar com os seus sonhos imaginados nunca realizados. Ela chorou enquanto a melodia era triste e olhou no fundo dos olhos dele como em uma despedida, mas nesse instante ela sentiu seus olhos nos dela, quentes e plenos como sempre, sem combinar com sua emoção interna.
Tudo importava pra ela, e ela deixou que tudo se apagasse e ele a abraçasse, deixou que o calor do seu olhar a dominasse e foi em um segundo...
Foi a simpatia, ela tinha certeza, foi ela estar decepcionada e aberta pra cultivar apenas uma amizade que o fez chegar mais perto. Ou não, poderia ser a decepção que ele havia sofrido poucos minutos antes. Era a decepção.
O pensamento dela oscilava entre o querer e o orgulho gritante que mexia com ela, foi aí que ela resolveu ouvir a música e esquecer o resto. Ela deitou no ombro dele e deixou ele cantar no ouvido dela. Ela entrou no carro quando ele abriu a porta e foi. Não ia doer enquanto a música não parasse, mas a música ia parar, uma hora ela ia parar.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

melodia

Coisas que não saem do pensamento e que acumulam esperiências nunca vividas e inimagináveis até para as pessoas que compartilhavam de sua vida, ela nunca iria publicá-las ou revelá-las da maneira corretamente sonhada a ninguém que não fosse o seu travesseiro.

Entre a linha da contemplação e do admirado existia uma ponte de luzes e fios que se entrelaçavam ao som da melodia inaudível no momento. Entrelaçados. Permaneciam.
Em algum momento, a melodia torna-se clara e as luzes se apagam, ou mudam para outras direções tão mais convenientes quanto menos satisfatórias, não sei ao certo o motivo, mas o que não muda é a consequência dos laços ainda costurantes no ar e enraizados no interno, no eterno, por centésimos de segundo. Mas trocados, os fios não vinham só de uma parte, vinham de ambas e se cruzavam dando mais ênfase ao que foi traçado, ao que em tão pouco tempo foi trilhado.
Então, a melodia para e tudo que se resta é calor, calor de presença, calor de correspondência. Calor e estilhaços de linhas e luzes abafados ao som de uma nova melodia.
(os olhares cruzavam-se, os medos dissipavam-se)

Era sábia a maneira com que ela refez os sonhos em palavras, uma vez que é tão difícil de acompanhar por quem não sente, por quem nunca sentiu o ardor e a raridade de um olhar apaixonado correspondido e bonificado.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Estava eu, vadiando por comunidades então achei umas com falas de Gossip Girl bem interessantes, espero que despertem em vocês o mesmo sentimento irresponsável, noturno e impaciente que em mim.
XoXo

Esse é o mantra de Serena Van der Woodsen, não é? Sem culpa, sem responsabilidades. As coisas apenas acontecem. Sabe, você costumava me dizer que tinha medo de que as pessoas vissem seu verdadeiro "eu". Talvez você seja a única que não consegue ver a si mesma. De onde estou, essa é você.

Sonhos, todos tem o seu. Alguns bons, alguns ruins.. Alguns que você desejaria esquecer. Algumas vezes percebe que os superou. Algumas vezes sente que estão finalmente tornando realidade. E alguns de nós.. só têm pesadelos. Mas não importa o que sonhe, quando a manhã chega, a realidade se intromete, e o sonho começa a escapar.

Toda garota sonha em encontrar seu príncipe encantado. Mas se esse príncipe se recusa a vir... uma garota precisa dar um jeito com suas próprias mãos.

O problema com contos de fadas é que eles levam uma garota ao desapontamento. Na vida real, o príncipe foge com a princesa errada.. ou o feitiço acaba e os dois amantes se dão conta de que são melhores com o que quer que sejam. Mas vou confessar, de vez em quando uma garota consegue seu final de conto de fadas.

Dizem que não importa a verdade, as pessoas veêm o que elas querem ver. Algumas pessoas podem dar um passo para trás e descobrir que elas estavam olhando a mesma cena o tempo todo. Algumas pessoas podem ver que suas mentiras quase o alcançaram. Algumas pessoas podem ver que elas estavam lá o tempo todo. E, em seguida, há aquelas pessoas, os que correm na medida do possível para que não precisem olhar pra si mesmos.

sábado, 4 de abril de 2009

cofre.

Ele estava tão ausente da vida dela e ao mesmo tempo tão presente em seus pensamentos, devaneios e sonhos. E isso duraria enquanto durasse sua acomodação, o que supostamente se prolongaria por tempo sulficiente para que ela o tirasse da cabeça, por mais que não fosse isso que ela quisesse, era a única forma indolor de levar a situação. E porque escolher a forma indolor? Porque era o mais fácil, embora menos eficiente, era a mais estável.
Ela havia se acustumado a ser hermética, a ser vazia e ter mais tempo pra futilidades do que pra sentimentos, o que mudara de uns tempos pra cá, em que todo o seu espaço mental havia acomodado outra prioridade, outra distração. Não era fácil aceitar tanta mudança sem se enrolar um pouco com as decisões.
A decisão havia sido tomada, mas devido a eficácia duvidável o projeto de execução havia sido adiado pra quando ela fosse mais segura.
SEGURA, SEGURA, SEGURA.
Seguraça é difícil quando se trata de amor, mas não chegava a ser amor, seria muita audácia classificar aquele sentimentozinho crescente em amor, então porque ser tão difícil, pra que tanta segurança?
Não, não era pra tanto, só mais um pouco de clareza bastaria, um pouco de certeza, doses mínimas de vodca e alguns cigarros baratos serviriam bem.
Eram tantas idéias bailando em seu cérebro que ela ficava tonta as vezes, lembrando das regrinhas de "como seduzir o gato dos sonhos by Capricho" e rindo de si mesma ao tentar tornar racional algo que não tinha lógica nem pra ela, e não havia de ter pra ninguém. Fechava os olhos e tentava lembrar de situações que trouxessem pistas de que algo poderia sair bem e que provasse que nem tudo seriam massacres violentos ao seu sensível lado emocional que tantas vezes foi guardado dentro de cofres feitos de ferro, experiência e frustração.
A sequência correta seria: abrir o cofre, respirar confiança e colocar a decisão em prática, já que a chave do cofre ela já havia encontrado.

terça-feira, 31 de março de 2009

Não que pequenas decepções não podem ser tornar catástrofes, não que curtos devaneios não possam tornar-se grandes loucuras.

Quando se cala ao silêncio, ouve-se a voz que ele tem, assim como quanto se fecha os olhos para o escuro o mesmo se torna multicolor.
Não que eu esteja querendo escrever sobre autoajuda, mas o fato é que se nos fixarmos nos pequenos tombos nos veremos em um abismo e isso seria um desperdício de personalidade e de oportunidade.
Cada um tem sua dor, e quando ela é a única coisa "enxergável" não importa o quanto as pessoas ao redor tentem te convencer de que vai passar, de que foi o melhor, você não escuta, não por ser dramática, ou querer continuar sofrendo, mas porque esses conselhos não fazem o menor sentido no momento.
Se viessem me contar seus problemas em um dia que eu não estivesse bem eu responderia ás lamentações:
"Que legal seu namorado ter te traído, mas eu também já fui traída e tô vivinha..."
"Incrível a capacidade de você ter levado um pé na bunda e estar engordando 5 kg por dia, mas eu já emagreci 3 kg e hoje em dia tô gostosinha..."
As pessoas não falam coisas desse tipo, porque elas sabem exatamente a dor infinita que a outra está sentindo a ponto de não enxergar o que está por trás da nuvem escura.
Se eu tivesse que dar dicas sobre isso diria para cada um que sofresse por amor, ou pelo que acreditava ser amor, para que beba, muito e de uma vez só, pra no fim da noite possa se olhar no espelho e dizer pra si mesmo que não tinha que ter chegado a esse ponto.
Sair e beijar 15 em uma só noite, e depois descobrir que não precisava disso pra se sentir desejado, e que não é assim que você vai suprir sua necessidade de carinho.
Olharia bem as fotos, as lembranças e os ridiculos papéis da primeira bala, do primeiro chocolate, do primeiro cinema e outras coisas inúteis que com todo nosso romantismo e sensibilidade julgamos ser de suma importancia. Então, olhe bem pra tudo isso e chore o quanto for possível, o quanto os seus pulmões aguentarem escutando a música de vocês dois, depois canse e durma. A leveza que isso tras é mágica...
Conclusão: é tendo autopiedade que se esquece do que te faz sofrer, é a vergonha de olhar o ser decadente no qual você se tornou que te faz cortar o cabelo, comprar roupas novas, iniciar um regime... se renovar.

É , infelizmente virou algo meio autoajuda, mas fiquei satisfeita com o resultado. ;D

domingo, 29 de março de 2009

Sobre café e cigarros

Enquanto se imagina demais se faz de menos.
Simples, plena e objetiva como deveriam ser as decisões, como deveríam ser os medos.
Enquanto se tem medo de agir, se perde tempo.
Quântica, calma e dialética como são todas as realidades quando se corre atrás delas, quando se vai a luta e se conquista o desejado.

Mulheres comportadas raramente fazem história,
essa frase remexia na minha mente enquanto eu olhava pro teto. E era magnífico o quanto o teto era constante, de uma só cor, com uma retidão admirável, sem curvas e sem direções ou caminhos pra escolher.
Em contrapartida por mais que as direções me estressassem , elas me fascinavam, me faziam me sentir meio má, meio não-comportada, meio que fazendo história...
Seria tão simples se tudo se resumisse a café e cigarros, seria uma forma de êxtase hiperativo, de anestesia de desilusões.
Apagar os medos e as piores experiências como se tivesse uma dose diária de vodca, ou que fosse uma dose controlada por lágrimas ou angústia aparente.
Penso que o medo de se machucar ia diminuir, já que as experiências frustradas seriam apagadas. Contudo seria frustrante não lembrar das vezes que caiu e conseguiu levantar, das noites que chorou mas que passaram...
Não, nada de café ou cigarros ou sequer as doses de vodca.
Melhor é remexer frases de Marilyn Monroe filosofando sobre, sei lá, árvores, que são inconstantes e tem várias direções para seus galhos seguirem e crescerem.

até então, arrependida.

Sem dormir, ela pensava em um jeito de se desculpar, já que podia demorar uma era para que pudesse vê-lo de novo e ela não podia deixar aquela má impressão de menina chatinha.
Scrap é muito "perseguição", telefonema nem se fala, sms discretinho? Seria uma opção se ele tivesse o número dela, o que não era o caso.
Tentava tirar declarações explícitas da cabeça e entre partir pra cima descaradamente e continuar esperando uma oportunidade inexistente ela tentava prestar atenção nos sinais que ela mesma criava pra facilitar a decisão.
MEDO, medo de rejeição, de fazer papel ridículo, dele mudar com ela, mas o pior medo era de desperdiçar o tempo e as poucas oportunidades que tinha por pura covardia. Afinal, se ela deixasse o pessimismo de lado iria enxergar a possibilidade de dar certo, dele a querer como agora ela tinha certeza que o queria e se ela fosse mais fundo e pensasse nas atitudes dele veria que ele nunca foi frio, nem a ignorou, então o máximo que poderia acontecer era ela receber um não e ficar com tanta vergonha que não quisesse mais olhar na cara dele, do tipo que até iria evitar os locais onde ele iria. (acho que esse pensamento não a ajudou muito, então ela voltou aos sinais)
Decidiu esperar, por mais que isso custasse, ver ele pessoalmente e pedir desculpas, observar reações e por mais que a tentação fosse forte, JAMAIS comprar revistinhas com manuais da conquista, isso seria autosuicídio.
Dormiu com esse pensamento meio cômico e sonhou com um relógio que corria depressa.

sábado, 28 de março de 2009

toda a certeza

Ela não estava certa do que queria, ou estava certa demais passando por lugares significativos e ouvindo vozes antigas de palavras que foram ditas entre sorrisos e beijos.
Tremia e tinha o coração acelerado como menininhas de 12 anos que estão perto das suas "paixonites".
Subia as escadas como se esperasse que não tivesse ninguém no seu destino e ela pudesse dar meia volta e voltar pra casa, mas desejando com todas as suas forças que alguém lhe recebesse com um sorriso enorme, um abraço e disesse em seu ouvido que estava com saudades. Ela havia repassado a cena milhões de vezes em sua mente, a troca de olhares, os sorrisos trocados entre vergonhas...
Fechou os olhos respirou fundo e entrou, fazia tanto tempo que aquele local nem era mais familiar, ele estava lá, com a cara boba, simples e incrivelmente encantadora de sempre, levantou e foi abraçá-la, nada de especial (infelizmente), mas era ele, ela e um abraço de meio segundo. A reação dela a partir daí foi decepcionante, não retribuira olhares curtos, sequer falou direito com ele. IDIOTA, BURRA. Ele vinha com a mesma simpatia, mas ela estava seca, quase ríspida e só respondia o perguntado, um verdadeiro desperdício de oportunidade. IDIOTA, BURRA, INCOPETENTE.
Ele foi embora e ela vazia.
Ela estava certa do que queria, de uma vez por todas.

"[...] Eu estava fraco demais para desistir
E forte demais para perder [...]"

(the best of you - foo fighters)